Depois de efetuar uma razoável pesquisa em diversas fontes referenciais (livros, revistas e websites), nos dois últimos anos, cheguei a esta relação do que seria o conjunto das doutrinas centrais do Cristianismo – aquelas que todos os cristãos, independente da denominação ou comunidade que participam, apontam de forma quase unânime, como sendo as doutrinas fundamentais que caracterizam a essência da fé cristã; aquelas que não podem ser alteradas ou negadas, sob pena de descaracterizar o cristianismo bíblico – original.
Esses ensinos estão aqui resumidos, acompanhados das principais e respectivas passagens bíblicas nas quais se baseiam, com o objetivo de contribuir para tornar claro para aqueles que creem ou estão interessados na fé cristã, quais são as suas crenças principais. Hesitei em postar este artigo porque é difícil convencer-me de que consegui uma redação final para ele. Portanto, este é um artigo “em obras”, que poderá ter seu texto melhorado ao longo do tempo, quer seja pelo autor ou por outros irmãos que o quiserem melhorar. Assim, os que citarem este artigo devem, além de citar a fonte, citar a data, pois ele pode se modificar com o passar das semanas.
I – Existe um Deus – O Criador
Existe um único Deus, criador de todas as coisas, um ser imensamente superior ao ser humano, que, ao mesmo tempo, é constituído de três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo, igualmente eternos, igualmente perfeitos, iguais em glória, majestade e poder. (Gen. 1.1; Ex 20.1-3; Isa. 43.10; 44.6,8, 24; João 17:3; 1 Cor. 8:5-6; Gal. 4:8-9; 2 Cor. 13:14; 1 Pe. 1:2; Mt 28:19; Lc 3:21-22). Deus sabe tudo – é onisciente (1 Jo. 3.20). Deus é eterno (Slm. 90.2). Deus é Todo-poderoso – onipotente (Slm. 115.3). Deus está em todos os lugares ao mesmo tempo – é onipresente (Jer. 23.23-24). Deus é espírito (Jo. 4.24; Lc. 24.39). Deus Pai é o Autor da redenção eterna (Ecl. 11.5, 1 Jo. 5.11).
II – A Bíblia é divinamente inspirada
Os sessenta e seis livros da Bíblia que compõem o Antigo e o Novo Testamento (Escrituras Sagradas) são divinamente inspirados e os seus manuscritos originais não continham erros teológicos. Os homens que escreveram os livros bíblicos foram inspirados por Deus de diversas maneiras. Uns ouviram a voz de Deus que os mandou escrever exatamente o que escreveram. Outros escreveram sobre suas experiências com Deus e os ensinamentos que aprenderam delas. Outros (como Lucas) foram inspirados a realizar uma minuciosa pesquisa histórica e relatar sistematicamente o que levantaram. Outros, como Mateus e João, registraram de memória o que viram e ouviram Jesus fazer e dizer. Alguns (como Paulo) escreveram cartas, originalmente com o propósito de orientar os primeiros cristãos na fé. Em todos os livros (com exceção dos textos ditados diretamente por Deus — como os 10 mandamentos), a inspiração divina não anulou a individualidade dos escritores. Portanto, a mensagem bíblica deve ser interpretada considerando o contexto histórico e cultural do escritor original e em como os receptores do livro compreenderiam a mensagem.
Os livros da Bíblia foram transmitidos através dos séculos de um modo que chegaram até nós com uma grande fidelidade aos originais, principalmente quanto às doutrinas centrais do Cristianismo. As variações que existem nos manuscritos antigos encontrados pelos arqueólogos só afetam ensinos periféricos do Cristianismo (para maior aprofundamento, ver o artigo “A preservação das Escrituras“, neste website).
A Bíblia, por ter sido escrita por homens de Deus, é a autoridade suprema e final em questões de fé e conduta, em questões acerca da pessoa de Deus, da origem de todas as coisas e da vida pós-morte. É o critério referencial (o padrão) pelo qual toda doutrina, pensamento ou procedimento de fé devem ser julgados (2 Tim 3:16-17; 2 Pe 1:20-21; Hb 4:12).
III – Jesus Cristo é Deus e também homem
Jesus, o Cristo, é Deus – O Filho – a segunda pessoa da Trindade Divina – e é também humano (embora hoje não esteja presente corporalmente na terra). Ele é aquele para o qual e por meio do qual todas as coisas foram criadas por Deus (Jo. 1.1-2). Jesus, que já existia desde a eternidade como Deus glorioso, abriu mão de parte de seus privilégios divinos e encarnou como homem com a missão de salvar a humanidade de seus pecados. Nasceu da virgem Maria, concebido pelo Espírito Santo (Mt. 1.18-25; Lc. 1.26-38). Ele jamais pecou (1 Pe. 2.22). Foi crucificado por causa dos nossos pecados, e por isso se tornou o único Mediador entre Deus e os homens e o único caminho para chegarmos ao Pai (1 Tim. 2.5; Jo. 14.6). Foi sepultado e ressuscitou fisicamente ao terceiro dia. Após aparecer a uma grande multidão de discípulos, ascendeu ao Pai onde hoje se encontra, até o dia em que retornará física e pessoalmente para resgatar sua Igreja, julgar a humanidade e reinar sobre as nações. (Fp. 2.5-8, Mt. 11.27; Lc. 10.22; Rm 8:3, Jo. 1:1,14-18, 2:19-21; 10.30-33; 20.28; At. 17:31; 1 Cor 15:1-8; Col 2:9; 1 Ts 4:16-18; Hb 1:1-4, 8; 1 Jo 4:1-4).
IV – O Espírito Santo – sua pessoa e missão
O Espírito Santo é o Ajudante (Gr. Parákletos), prometido pelo Pai e pelo Filho (Jo. 14.16). Ele é uma pessoa e não uma energia. Sua missão é: convencer o ser humano de que é pecador e que merece ser condenado por Deus; produzir o novo nascimento – o batismo espiritual – e a santificação dos arrependidos que receberem Jesus como seu Senhor e Salvador pessoal; fazer os nascidos de novo conhecerem mais e mais o Senhor Jesus e crescerem espiritualmente; iluminar a mente dos cristãos para compreenderem as Escrituras; distribuir dons espirituais, por meio dos quais o Espírito Santo equipa os santos para a obra do ministério. (Jo. 16.8-10; At 1:4, At 1:8, Rm 5:5, 1 Cor 12:1-14, 1 Cor. 12:27-30, Rom. 12:6-8, Ef; 4:11-12; Gl 5:22-23).
V – A pecaminosidade humana
A raça humana é pecadora. O ser humano foi originalmente criado por Deus à sua imagem e semelhança, para adorar e ter comunhão com o Criador, e exercer domínio sobre a criação. Entretanto, por causa de sua rebelião contra Deus, o Homem se corrompeu e se depravou. A comunhão com Deus foi cortada e o governo deste mundo passou para as mãos de Satanás – um anjo que anteriormente era bom e se rebelou contra Deus, levando, em sua rebelião, um terço dos anjos. Conseqüentemente, toda a Criação foi contaminada pelo pecado, sendo a morte física e espiritual a consequência final. A restauração de sua comunhão com Deus é essencial à humanidade, entretanto o ser humano está incapacitado de conquistá-la por si mesmo, por mais que se esforce (Gn 1:27; 6.5; Slm. 51.5; Isa 64.6-7; Rm 3.10, 23; 5.12).
VI – A Justificação / Salvação pela fé, devida ao sacrifício expiatório de Cristo, por causa da graça de Deus; a realidade do paraíso (céu)
A salvação do gênero humano foi providenciada por Deus unicamente pelo sacrifício vicário de Jesus Cristo. Esta é uma obra exclusiva da graça de Deus e, portanto, o que cabe ao homem é reconhecer-se pecador e incapacitado de agradar a Deus por si mesmo; arrepender-se de seus pecados e ter fé na suficiência do sangue de Jesus para a expiação de seus pecados e para o dom da vida eterna em Cristo. A salvação ou justificação é um dom gratuito dado por Deus, e não depende de obras nem de obediência à nenhuma lei. O paraíso (ou céu) é um lugar real/espiritual, para onde vão os que receberam a Jesus Cristo, para gozar a eternidade com ele (Is. 53.5; Lc. 23.39-43; João 3.16; Rom. 3.28; 4.4-5; 6.23; 10.9-10; Ef. 2.8-9; 2 Cor. 5.14; Tito 3.5; 2 Tim. 1.8-10; 3.15; 1 Pe. 2.24; 1 Jo. 2.2; 5.19).
VII – A realidade do Inferno
Todo aquele que rejeita a Jesus Cristo e sua salvação gratuita já está condenado a ir para o Inferno no final dos tempos. O inferno é um lugar espiritual terrível de tormentos eternos, e os não salvos — aqueles que rejeitaram a salvação de Deus — ficarão lá eternamente (João 3.17-18; Mat. 25.41, 46; Apoc. 19.20; 20.11-15; 21.8).
VIII – O Batismo em Água
O Batismo em água dos novos convertidos deve ser realizado pelos cristãos, para cumprir um mandamento do Senhor. Não é requisito para a salvação, mas é uma expressão visível da fé e um marco tangível da ruptura entre nossa vida passada e nossa nova vida em Cristo. É um testemunho de nossa morte, sepultamento e ressurreição espirituais em Cristo e um ato profético de nossa ressurreição física quando da volta física do Senhor Jesus. É ministrado aos novos convertidos, em obediência ao mandamento do Senhor (Mt 28:19-20, At 2:38).
IX – A Igreja Como Corpo de Cristo na Terra
A igreja é o conjunto de todos os discípulos de Cristo na terra; Jesus Cristo habita espiritualmente no corpo de cada um de seus discípulos, portanto, a igreja é o corpo visível de nosso Senhor Jesus Cristo nesse mundo, enquanto ele não retorna em carne e osso. É a principal agência por meio da qual Ele revela a si mesmo e o Reino dele no mundo. A igreja não é uma instituição religiosa humana nem um edifício ou casa físicos, pois o Senhor Jesus nunca fundou nenhuma organização religiosa e nem habita em edifícios feitos pela mão do homem (Atos 7.48). Jesus deixou apenas o seu Nome para aqueles que nele crerem. Ninguém se torna parte desta Igreja por ministração de sacramento, mas por arrependimento e fé no Nome dele. Além de ser o corpo de Jesus, a igreja é a família de Deus. A missão da igreja é expressar a presença e o amor de Deus ao mundo por meio da pregação do Evangelho, da realização obras de amor e pela demonstração do poder de Deus – evidenciado por uma vida regenerada e pelo exercício dos dons espirituais (Jo. 2:19; 1 Cor. 6:19, 14:26, Ef. 2:19, 4:11-12).
X – A Ceia do Senhor
A Ceia do Senhor, outro ato que deve ser realizado pelos cristãos por mandamento de Jesus Cristo, é uma refeição (originalmente era um jantar) a ser compartilhada pelos discípulos de Jesus Cristo, em sua memória, até o dia de sua segunda vinda física. É uma celebração material-espiritual da igreja com Cristo. É um ato profético do retorno de Jesus, compartilhada pelos filhos de Deus, os quais frequentemente participam da Ceia (Jo 6.48-58, At. 2.42,46, 1 Cor. 10.17, 1 Cor. 11.23-26).
XI – O Retorno do Rei e os últimos dias
O Senhor Jesus Cristo retornará à terra uma segunda vez no final da história, como ser humano e Deus (espiritual e físicamente), descendo das nuvens, exatamente como e onde ele subiu (em Betânia, no sopé do Monte das Oliveiras), porém, dessa vez, virá como grande rei do universo, para subjugar toda a terra ao seu santo domínio. Seu retorno será repentino e visível a todos. Será precedido de um período de grande tribulação (sofrimento) na terra. Naquele dia, os cristãos que já tiverem morrido serão ressuscitados em carne e osso. E os cristãos que estiverem vivos naquele dia terão seus corpos transformados, e todos os nascidos de novo serão reunidos e arrebatados às nuvens, unindo-se para sempre com o Senhor. A partir de então, se iniciará um reino de Cristo na terra que durará mil anos. Depois disso, haverá um julgamento final da humanidade. Os que rejeitaram a salvação de Jesus, juntamente com Satanás e seus anjos (demônios) serão lançados eternamente no inferno. Finalmente haverá novos céus e nova terra para os filhos de Deus (Atos 1.11; 1 Tess. 4.14-17; 2 Pe. 3.7; Apoc. 20.10, 15; 2 Pe. 3.13; Apoc. 21.1).
Por Marcos S. da Rocha
Retirado do site www.doutrinasessenciais.com em 07/06/2015

Nenhum comentário:
Postar um comentário