Muitas vezes nós colocamos inúmeros empecilhos para anunciar o evangelho, dizemos que não somos chamados para isso, não temos o dom de evangelizar, em fim, são muitas as desculpas. A verdade é que todos somos chamados para evangelizar, essa é a nossa missão, independente dos dons que Deus nos deu. A partir do momento em que entendermos que somos um corpo, na qual cada um tem a sua função, e dissermos Senhor, eis me aqui, usa-me conforme o dom que o Senhor me deu, evangelizar se torna algo muito simples, leve e prazeroso.
“E, convocando os seus doze discípulos, deu-lhes virtude e poder sobre todos os demônios, para curarem enfermidades. E enviou-os a pregar o reino de Deus, e a curar os enfermos. E disse-lhes: Nada leveis convosco para o caminho, nem bordões, nem alforje, nem pão, nem dinheiro; nem tenhais duas túnicas. E em qualquer casa em que entrardes, ficai ali, e de lá saireis. E se em qualquer cidade vos não receberem, saindo vós dali, sacudi o pó dos vossos pés, em testemunho contra eles. E, saindo eles, percorreram todas as aldeias, anunciando o evangelho, e fazendo curas por toda a parte.” (Lucas 9:1-6)
“E depois disto designou o Senhor ainda outros setenta, e mandou-os adiante da sua face, de dois em dois, a todas as cidades e lugares aonde ele havia de ir. E dizia-lhes: Grande é, em verdade, a seara, mas os obreiros são poucos; rogai, pois, ao Senhor da seara que envie obreiros para a sua seara. Ide; eis que vos mando como cordeiros ao meio de lobos. Não leveis bolsa, nem alforje, nem alparcas; e a ninguém saudeis pelo caminho. E, em qualquer casa onde entrardes, dizei primeiro: Paz seja nesta casa.E, se ali houver algum filho de paz, repousará sobre ele a vossa paz; e, se não, voltará para vós. E ficai na mesma casa, comendo e bebendo do que eles tiverem, pois digno é o obreiro de seu salário. Não andeis de casa em casa .E, em qualquer cidade em que entrardes, e vos receberem, comei do que vos for oferecido. E curai os enfermos que nela houver, e dizei-lhes: É chegado a vós o reino de Deus. Mas em qualquer cidade, em que entrardes e vos não receberem, saindo por suas ruas, dizei: Até o pó, que da vossa cidade se nos pegou, sacudimos sobre vós. Sabei, contudo, isto, que já o reino de Deus é chegado a vós. E digo-vos que mais tolerância haverá naquele dia para Sodoma do que para aquela cidade.” (Lucas 10:1-12)
Jesus pede simplicidade na hora de cumprir a missão, não há nada de grandioso, nenhum poder ou unção especial além daquela que nós também já temos, pois temos o Espírito Santo dentro de nós. “Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito.” (1 Coríntios 12:13)
Sobre os sinais e prodígios.
Talvez o fato dos discípulos e dos 70 enviados terem realizado curas e expulsados demônios faz parecer com que tivessem uma unção especial, algo diferente de nós hoje, mas vamos entender um pouco o contexto.
Grande confusão espiritual. O império Romano passava por uma grande confusão espiritual gerada pelas diversas religiões praticadas pelos povos dominados. Não havia uma religião oficial do Império, havia sim uma obrigação de se adorar ao imperador, e os povos podiam adorar aos seus Deuses, desde que não fossem de encontro à adoração ao imperador. Por exemplo, o Rei Herodes (Mateus 2), quando soube que um novo Rei (Jesus) nasceria ficou furioso. Quando Jesus foi preso, ao ser questionado se ele era o Rei dos Judeus, ele mesmo não fez tal afirmação, pois estaria indo contra as leis do império dizendo ser ele um outro Rei, então, ele não seria mais inocente, por ter ferido as leis Romanas. Em fim, graças a essa “liberdade”, havia uma confusão espiritual. Haviam filosofias estranhas, ou filosofias humanas, ocultismo, astrologia, prática de magias, além de um pouco de mitologia grega, pois os Gregos dominaram o mundo antes dos Romanos e quiseram impor a sua cultura e religião a todos, o que inclusive foi a grande causa da divisão entre os judeus.
A espera do Messias. Além dessa grande confusão espiritual, os judeus esperavam a vinda do Messias, e muitos já haviam se levantado como sendo ele, alguns até fizeram sinais, porém não passavam de farsas. “Porque antes destes dias levantou-se Teudas, dizendo ser alguém; a este se ajuntou o número de uns quatrocentos homens; o qual foi morto, e todos os que lhe deram ouvidos foram dispersos e reduzidos a nada. Depois deste levantou-se Judas, o galileu, nos dias do alistamento, e levou muito povo após si; mas também este pereceu, e todos os que lhe deram ouvidos foram dispersos.E agora digo-vos: Dai de mão a estes homens, e deixai-os, porque, se este conselho ou esta obra é de homens, se desfará,Mas, se é de Deus, não podereis desfazê-la; para que não aconteça serdes também achados combatendo contra Deus.” (Atos 5:36-39)
Havia uma certa necessidade de sinais e prodígios a fim de que as pessoas acreditassem que aqueles discípulos estavam representando o verdadeiro Messias, acreditassem que esse tal Jesus sobre o qual estão falando é verdadeiro, afinal, ainda não havia nenhum registro sobre Ele, como nós temos hoje todo o Novo Testamento. Jesus era um contemporâneo, uma história recente de alguém cujo a fama é da de ser o Messias, o Rei dos Judeus.
Hoje em dia podemos afirma que vivemos uma certa confusão espiritual também. Muitas religiões, muita mistura, as próprias igrejas que se dizem evangélicas estão realizando práticas que mais se parecem com espiritismo, astrologia, ocultismo, em fim, mas Jesus já é conhecido por quase todos, já temos todo o Novo Testamento, temos até filmes sobre ele, o nosso país é praticamente todo cristão, não há mais essa necessidade urgente de milagres para as pessoas conhecerem verdadeiramente a Cristo, muito pelo contrário, os muitos “milagres” que existem por aí não tem nada a ver com Jesus, pois falam de prosperidade, de coisas materiais sem transformação espiritual, sem relacionamento com Jesus, enquanto os milagres registrados em todo o Novo Testamento tinham sempre um propósito evangelístico, sempre vinham acompanhados de explicação (doutrina) e transformação de vidas. Peguemos como exemplo a descida do Espírito Santo (Atos 2) após o episódio, Pedro faz um discurso que leva três mil pessoas a serem batizadas. Outro exemplo é a cura de um coxo na porta do templo (Atos 3), após o milagre, Pedro faz um duro discurso atribuindo aquele acontecimento a Jesus, e não a ele e a João, pois o povo ficou maravilhado com aquilo (ao contrário do que vemos hoje), além disso, critica os religiosos por terem matado Jesus, o autor da Vida, o que o leva ele e João a serem presos, no entanto, essa prisão, deu a eles a oportunidade de pregarem para mais pessoas, sempre apontando para Jesus e suas pregações, e atribuindo somente a Ele a autoria de todos os milagres que eram realizados.
“E, apegando-se o coxo, que fora curado, a Pedro e João, todo o povo correu atônito para junto deles, ao alpendre chamado de Salomão. E quando Pedro viu isto, disse ao povo: Homens israelitas, por que vos maravilhais disto? Ou, por que olhais tanto para nós, como se por nossa própria virtude ou santidade fizéssemos andar este homem? O Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus de nossos pais, glorificou a seu filho Jesus, a quem vós entregastes e perante a face de Pilatos negastes, tendo ele determinado que fosse solto. Mas vós negastes o Santo e o Justo, e pedistes que se vos desse um homem homicida. E matastes o Príncipe da vida, ao qual Deus ressuscitou dentre os mortos, do que nós somos testemunhas. E pela fé no seu nome fez o seu nome fortalecer a este que vedes e conheceis; sim, a fé que vem por ele, deu a este, na presença de todos vós, esta perfeita saúde.” (Atos 3:11-16 ).
Nós recebemos de Jesus a mesma ordem de evangelizar que os discípulos e os 70 receberam, e temos sobre nós a mesma unção que eles, precisamos acreditar que somos capazes até se sermos usados para curar e expulsar demônios se for preciso, mas não é isso que Deus quer de nós, ele quer que simplesmente anunciemos o evangelho com simplicidade e de coração.
Sobre sacudir a poeira dos pés.
“E se em qualquer cidade vos não receberem, saindo vós dali, sacudi o pó dos vossos pés, em testemunho contra eles.” (Lucas 9:5).
“Mas em qualquer cidade, em que entrardes e vos não receberem, saindo por suas ruas, dizei: Até o pó, que da vossa cidade se nos pegou, sacudimos sobre vós. Sabei, contudo, isto, que já o reino de Deus é chegado a vós. E digo-vos que mais tolerância haverá naquele dia para Sodoma do que para aquela cidade.” (Lucas 10:10-12).
A grande lição que Jesus traz quando fala em sacudir até mesmo a poeira dos pés não é para as cidades ou pessoas que não aceitam o evangelho, mas sim para quem o anuncia. Sacudir a poeira dos pés significa literalmente deixar para trás, se desprender daqueles que não se interessam pelo evangelho e podem acabar nos impedindo de continuar a nossa missão.
Quando vamos evangelizar, precisamos ter em mente duas verdades. A primeira é que quem convence a pessoa do pecado é o Espírito Santo, e não nós. A segunda verdade é que anunciar o evangelho é a nossa missão, nossa responsabilidade, e não podemos deixar que nada nos atrapalhe. Devemos sim insistir com todos, mas quando uma pessoa resiste fortemente ao evangelho, não demonstra nenhum interesse por nada que fazemos, não podemos gastar todas as nossas forças com ela, pois estaríamos perdendo o nosso tempo jogando pérolas aos porcos, e isso pode causar dois grandes problemas. O primeiro é a decepção, achamos que estamos agindo errado porque não estamos conseguindo “converter” aquela pessoa. Quando isso acontece, é um sinal de que nos esquecemos que quem convence do pecado é o Espírito Santo, o nosso papel é plantar a semente do Evangelho. O outro grande problema é que isso nos atrapalha a seguir em frente na nossa missão, pois o tempo que perdemos com aqueles que já demonstraram não ter nenhum interesse poderia ser melhor aproveitado anunciando as Boas Novas a outra pessoa. Ninguém consegue caminhar e prosseguir em sua missão carregando na consciência o peso de alguém de coração duro que não quis aceitar o evangelho. Devemos sacudir o pó, deixar para trás, e se um dia essa pessoa voltar atrás, nos procurar, demonstrar algum interesse ou percebermos que ela realmente necessita de ajuda, aí sim, devemos novamente nos esforçar em prol daquela alma perdida.
Vamos à prática
Que tal sairmos de casa em casa em pequenos grupos oferecendo a Paz de Deus àquela família? Não precisamos entrar nos lares falando de pecado, de arrependimento, de mudança de vida, nada disso por enquanto, basta oferecer uma oração. Acredito que ninguém vai recusar uma oração por sua família, mas certamente ofereceriam barreiras se chegássemos com bíblias e panfletos falando de pecado e inferno. Através dessa simples oração, pode ser que a pessoa queira conversar, falar de seus problemas, se abrir, pedir ajuda, quem sabe até aceita que façamos um culto em sua casa, em fim, são inúmeras as possibilidades do que pode acontecer se simplesmente oferecermos uma oração por aquela família. Mesmo que a pessoa não queira se abrir, simplesmente aceite a oração, diga a ela que a igreja está sempre de portas abertas para ajudá-la no que precisar, faça o convite para que ela compareça nos cultos, e, principalmente, continue orando por ela, a fim de que essa semente plantada através de uma “simples” oração venha a brotar e crescer naquele coração.
Veja como é simples evangelizar, não precisamos ter nenhum dom especial, basta obedecer a ordem de Jesus de ir anunciar o evangelho.
Autor: João Luiz Prett de Matos
Autor: João Luiz Prett de Matos

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